(...)técnica dramática que funciona como interlúdio num enredo, introduzindo um momento de grotesco durante o desfile sério das máscaras tradicionais. O desempenho da antimáscara está, no século XVII, associado a questões de estratificação social: os actores mascarados pertencem geralmente à nobreza e a aristocracia, são amadores, que participam no espectáculo teatral por razões lúdicas; os actores com antimáscaras pertencem às classes sociais mais desfavorecidas(...)
grita-me se puderes daí dessa terra distante onde o céu é mais azul e o sol é mais brilhante
grita-me se puderes daí desse mar adolescente onde a água é a mais pura e o sal mais transparente
e da penumbra o encanto sai como uma tocha a iluminar o vazio que n'alma nos vai quero ser rio à beira-mar
grita-me se puderes daí desse lugar já transformado onde a sede é saciada e a fome é chão lavrado
Na estrada desde 1994, o projecto “Heresias” tem na sua génese uma ideia forte: o rock português deve receber influências da música tradicional portuguesa. João Cágado, principal motor da ideia e do projecto, cedo começou a orientar o seu trabalho nesse sentido, através dos projectos colectivos “Kodagga” e “Magna Terra”.
Possuidor de uma grande experiência profissional, tanto em palco como em estúdio, João Cágado já participou em projectos como “The Vein”, “Aos olhos da censura”, “Cantos D’Aurora”, “Terra D’Alva” e, mais recentemente, “Cantes do meu cante”. Em “Heresias” está acompanhado por Pikaxu, Carlos Menezes, Luís Calado, Paulo Couto e Manuel Dias.
Com quatro álbuns editados, o projecto funde com uma harmonia invulgar e genuína o pop/rock com sons sintetizados de acordeão, guitarra portuguesa e flauta. Mas aposta também na palavra, sempre no trilho das inquietações que nos fazem questionar sobre a realidade actual. De pés bem assentes na terra e olhos no céu, dão-nos a certeza que há uma ordem cósmica, à qual cada um de nós pertence.
Aceitou um jantar familiar na rua das laranjeiras e rasgou um sorriso no rosto quando lhe apresentei o sofá onde dormiria.
“não te preocupes”-disse – “dormirei muito bem”.
Comemos caldo verde, com a primeira couve que fui colher ao jardim que transformámos em horta, e carne assada no forno.
E bebemos vinho tinto, recordando a noite de 30 de Dezembro, em que os três antecipámos uma passagem de ano de poemas e canções até às oito da manhã.
As horas voaram. Queria sair cedo para estacionar e tranquilamente arranjar lugar.
À pressa, um bilhete deixado na mesa, junto ao prato de T., que vinha de viagem e chegaria só às dez.
Quando chegámos ao Bibliocafé, vi várias caras conhecidas, quase amigas, diria, os colegas de curso, o Sr.Professor que costuma ir para lá trabalhar…e muita gente nova e bonita.
O que aconteceu naquele serão, foi pura poesia.
A casa estava cheia. Cheia de música, de beleza, de conversas entre amigos, de sorrisos, de gente linda.
Viajámos realmente pelo cancioneiro alentejano e fomos arrebatados pelas vozes e pelas guitarras.
É possível vestir o cancioneiro com uma roupagem diferente, mas igualmente digna. É importante mostrar-se que o Cante não é um fóssil, podendo e devendo revestir-se de outras formas, levando assimum cada vez maior número de jovens a ouvir e despertar em si memórias –raízes do que somos.
Em todos os tempos, os temas das canções são inspirados nas mesmas fontes: o amor, o trabalho, os sonhos, a terra…
“olha a noiva se vai linda”, “tenho no quintal um limoeiro”, “rouxinol repenica o cante”, “um sobreiro velhinho”.E as pessoas, especialmente os jovens, espreitando, tentando perceber que som era aquele que o João fazia na guitarra…
Naquela noite, convergiu-se. E o que vi foi três músicos realmente dando o melhor de si e um público atento saboreando palavras e música e devolvendo uma energia quase palpável que se agigantava e nos retornava em música, criando cumplicidades.
Foi muito bonito. Tão bonito como o sorriso da Ana e do Davide, no final da noite.
Termo popularizado a partir do teatro de BenJonson (por exemplo, em MercuryVindicatedfromtheAlchemistsatCourt, 1616 — v. WWW), para uma técnica dramática que funciona como interlúdio num enredo, introduzindo um momento de grotesco durante o desfile sério das máscaras tradicionais. Quando precedia a representação da máscara, designava-se antemáscara. O desempenho da antimáscara está, no século XVII, associado a questões de estratificação social: os actores mascarados pertencem geralmente à nobreza e a aristocracia, são amadores, que participam no espectáculo teatral por razões lúdicas; os actores com antimáscaras pertencem às classes sociais mais desfavorecidas e são geralmente profissionais. O facto de a antimáscara ter uma função burlesca em relação à máscara convencional permite a comparação com as estratégias de simulação das sátiras gregas antigas. (http://www.levity.com/alchemy/jonson1.html) Carlos Ceia, s.v. "antimáscara", E-Dicionário de Termos Literários,coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9
Posto isto, Antimáscara assume-se como um convite a dissertações, poemas, textos e demais dizeres que acharmos por bem, enquanto gente de bem. E porque acontecem coisas, dentro e fora de nós, será ainda um espaço de divulgação, divagação, indignação...(qualquer coisa) que fará o caminho enquanto for caminhando, ao sabor do momento (que é um tempo muito acertado).