(...)técnica dramática que funciona como interlúdio num enredo, introduzindo um momento de grotesco durante o desfile sério das máscaras tradicionais. O desempenho da antimáscara está, no século XVII, associado a questões de estratificação social: os actores mascarados pertencem geralmente à nobreza e a aristocracia, são amadores, que participam no espectáculo teatral por razões lúdicas; os actores com antimáscaras pertencem às classes sociais mais desfavorecidas(...)
Cartão de Visita do Facebook
domingo, 28 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Grita-me Se Puderes
Encontra mais artistas como Heresias em Música do Myspace
grita-me se puderes daí dessa terra distante onde o céu é mais azul e o sol é mais brilhante
grita-me se puderes daí desse mar adolescente onde a água é a mais pura e o sal mais transparente
e da penumbra o encanto sai como uma tocha a iluminar o vazio que n'alma nos vai quero ser rio à beira-mar
grita-me se puderes daí desse lugar já transformado onde a sede é saciada e a fome é chão lavrado
grita-me se puderes...
título: Grita-me Se Puderes
album: Heresias
autor: João Cágado
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
Queixa das almas jovens censuradas -Natália Correia e José Mário Branco
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
Natália Correia
in "O Nosso Amargo Cancioneiro"
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Deito por terra
Deito por terra
o que sobra das palavras
que não digo.
Redondo é o teu olhar.
E é de vidro
este silêncio
a que me obrigo.
(Teresa Cuco)
sexta-feira, 20 de maio de 2011
1ªs Jornadas Literárias de Monte Maior
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Por Gibran Khalil Gibran (livro "O profeta")
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites;
Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.
Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.
Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos. E é bom que o desejeis.
A nascente secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando para o mar;
E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos.
Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;
E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda,
Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas.
Não digais: 'encontrei a verdade.' Dizei de preferência 'Encontrei uma verdade.'
Não digais: 'Encontrei o caminho da alma.' Dizei de preferência: 'Encontrei a alma andando em meu caminho.'
Porque a alma anda por todos os caminhos.
A alma não marcha em linha reta nem cresce como um junco.
A alma desabrocha, qual um lótus de inúmeras pétalas."
Então, um professor disse: "Fala-nos do ensino."
E ele respondeu, dizendo:
"Homem algum poderá revelar-vos senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.
O mestre que caminha à sombra do templo, rodeado de discípulos, não dá de sua sabedoria, mas sim de sua fé e de sua ternura.
Se ele for verdadeiramente sábio, não vos convidará a entrar na mansão de seu saber, mas vos conduzirá antes ao limiar de vossa própria mente.
O astrônomo poderá falar-vos de sua compreensão do espaço, mas não vos poderá dar a sua compreensão.
O músico poderá cantar para vós o ritmo que existe em todo o universo, mas não vos poderá dar o ouvido que capta a melodia, nem a voz que a repete.
E o versado na ciência dos números poderá falar-vos do mundo dos pesos e das medidas, mas não vos poderá levar até lá.
Porque a visão de um homem não empresta suas asas a outro homem.
E assim como cada um de vós se mantém isolado na consciência de Deus, assim cada um deve ter sua própria compreensão de Deus e sua própria interpretação das coisas da terra."
fonte:http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/08/gibran_do_conhe.html
quarta-feira, 20 de abril de 2011
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
não sei
que palavras podem confortar a mãe que perde o filho?
eu, com uma tão vasta experiência de mortes, não sei;
eu, que dizem ter o dom da palavra, não sei.
hoje, não sei.
nem sei se algum dia saberei.
e fico em silêncio
e olho-te em silêncio.
E abraço-te.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
“l’homme et son double” -Etienne Guillé
Penso que um Ser humano consciente das riquezas potenciais que esconde, não se deve contentar em sofrer os constrangimentos do seu ambiente, invocando um hipotético destino para justificar, à posteriori, os seus erros e os seus imbróglios afectivos, sociais, ou outros. Para mim, ele deve ir ao combate do Conhecimento com um C grande, como um Cavaleiro da Távola Redonda parte na busca do Graal. Ele aprenderá no decurso de cada etapa de que arma(s) pode dispor para progredir, quais as suas vantagens e quais as suas fraquezas. E descobrirá a sua verdadeira Natureza: o seu Eu profundo que é um tipo de Si individual, vibrando em uníssono com o concerto cosmo-telúrico, um diamante bruto escondido que é preciso extrair, libertar do seu peso, para tomar consciência e captar os raios luminosos emitidos de todas as suas facetas. E essa extracção, essa passagem ao cadinho, deve ser repetida infinitamente, até que a Obra esteja perfeita, até à última etapa do nosso Caminho de Conhecimento específico.
(excerto retirado de “l’homme et son double” -Etienne Guillé; pp 55; tradução: teresa cuco)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
não me morrerás
Não me morrerás
nem os silêncios se instalarão como espadas
nem me conformarei a um qualquer determinismo
Não te matarei
enquanto o espelho me devolver no meu o teu rosto
e o sangue me correr nas veias
como o rio que ainda é nosso.
O nosso rio.
Não nos abandonarei
enquanto tiver nos braços o abraço
e no coração a intricada renda
do nosso amor.
(Teresa Cuco -inédito)
terça-feira, 20 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Zé Melo



Morreu o Zé Melo. E num instante, todas as imagens me afloraram à mente;
aquela noite em que fomos à FIL, porque o "Cantes do meu Cante", actuava;
o enorme sorriso quando chegámos; aquela música do seu album "Debruçada na Planura"que não estava no repertório, mas que foi cantada especialmente para nós; porque fomos de propósito de Évora, porque a noite estava fria, porque a nossa presença trouxe uma outra motivação aos músicos; depois, a conversa... lembro-me que cantarolou baixinho uma música que havia de trabalhar melhor com o João, porque quando se juntavam os dois, saía coisa boa! E sempre aquele enorme sorriso... e o apuradíssimo sentido de humor.
Hoje, foi um dia triste... muito triste.
Hoje, perdemos um amigo.
Ficam-nos os poemas e as músicas e as memórias.
E fica-nos a certeza de que a tua passagem por aqui, fez deste mundo um sítio melhor.
Descansa em paz.
domingo, 13 de dezembro de 2009
mergulha no teu abismo
aguça o lado negro
e terás garantido
um passaporte para o sossego
Esquece as verdades que te disse
tudo é surreal, vago e omisso
e tudo se resume
a um bem essencial:
saber transformar em certo
aquilo que está mal
jogos
jogadas
cartas
segredos
uso
abuso
dos medos
cuida do aspecto
tira a carta da manga
importante é a aparência
mesmo que estejas de tanga
força os limites da decência
diz e desdiz
muda de partido
se não te achas servido
tira outra carta da manga
importante é a aparência
mesmo que estejas de tanga
e fica sempre bem
se quiseres tu consegues
afirmar alto e bom som
que os valores que persegues
afinal estão noutro tom
é uma questão de “coerência”
assumir com todo o rigor
que apesar de muita dor
impõe-to a consciência!
usa palavras da moda
esvazia-as de conteúdo
e acima de tudo,
sorri...para a câmara
mostra-te confiante
afinal pouco importa
se tropeças…mais adiante
depois logo se vê
mais uma carta da manga
um golpe de mestria
e despertas a simpatia
mesmo que estejas de tanga
manipula
usa e abusa
veste e
investe no jogo
da sedução
e assim com algum treino
e muita televisão
subirás e incharás
terás o mundo na mão
e facilmente, acredita,
passará a ser banal
dizer pedofilia
como quem diz
“que belo dia!”
dizer corrupção
como quem diz
“a moda p’ra este verão...”
por isso,
Mergulha no teu abismo
aguça o lado negro
e terás garantido
um passaporte para o sossego.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
In Memoriam A.H.H.
L
Be near me when my light is low,
When the blood creeps, and the nerves prick
And tingle; and the heart is sick,
And all the wheels of Being slow.
Be near me when the sensuous frame
Is rack'd with pangs that conquer trust;
And Time, a maniac scattering dust,
And Life, a Fury slinging flame.
Be near me when my faith is dry,
And men the flies of latter spring,
That lay their eggs, and sting and sing
And weave their petty cells and die.
Be near me when I fade away,
To point the term of human strife,
And on the low dark verge of life
The twilight of eternal day.
Lord Alfred Tennyson
fonte:http://www.readprint.com/work-1405/In-Memoriam-A-H-H-Lord-Alfred-Tennyson
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
antimáscara
Carlos Ceia, s.v. "antimáscara", E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9
Posto isto, Antimáscara assume-se como um convite a dissertações, poemas, textos e demais dizeres que acharmos por bem, enquanto gente de bem.
E porque acontecem coisas, dentro e fora de nós, será ainda um espaço de divulgação, divagação, indignação...(qualquer coisa) que fará o caminho enquanto for caminhando, ao sabor do momento (que é um tempo muito acertado).
Bem-vindos então (ao que há-de ser).
T.C.