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domingo, 13 de dezembro de 2009

mergulha no teu abismo

Mergulha no teu abismo
aguça o lado negro
e terás garantido
um passaporte para o sossego
Esquece as verdades que te disse
tudo é surreal, vago e omisso
e tudo se resume
a um bem essencial:
saber transformar em certo
aquilo que está mal
jogos
jogadas
cartas
segredos
uso
abuso
dos medos
cuida do aspecto
tira a carta da manga
importante é a aparência
mesmo que estejas de tanga
força os limites da decência
diz e desdiz
muda de partido
se não te achas servido
tira outra carta da manga
importante é a aparência
mesmo que estejas de tanga
e fica sempre bem
se quiseres tu consegues
afirmar alto e bom som
que os valores que persegues
afinal estão noutro tom
é uma questão de “coerência”
assumir com todo o rigor
que apesar de muita dor
impõe-to a consciência!
usa palavras da moda
esvazia-as de conteúdo
e acima de tudo,
sorri...para a câmara
mostra-te confiante
afinal pouco importa
se tropeças…mais adiante
depois logo se vê
mais uma carta da manga
um golpe de mestria
e despertas a simpatia
mesmo que estejas de tanga
manipula
usa e abusa
veste e
investe no jogo
da sedução
e assim com algum treino
e muita televisão
subirás e incharás
terás o mundo na mão
e facilmente, acredita,
passará a ser banal
dizer pedofilia
como quem diz
“que belo dia!”
dizer corrupção
como quem diz
“a moda p’ra este verão...”
por isso,
Mergulha no teu abismo
aguça o lado negro
e terás garantido
um passaporte para o sossego.
(T. C.)

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antimáscara

Termo popularizado a partir do teatro de Ben Jonson (por exemplo, em Mercury Vindicated from the Alchemists at Court, 1616 — v. WWW), para uma técnica dramática que funciona como interlúdio num enredo, introduzindo um momento de grotesco durante o desfile sério das máscaras tradicionais. Quando precedia a representação da máscara, designava-se antemáscara. O desempenho da antimáscara está, no século XVII, associado a questões de estratificação social: os actores mascarados pertencem geralmente à nobreza e a aristocracia, são amadores, que participam no espectáculo teatral por razões lúdicas; os actores com antimáscaras pertencem às classes sociais mais desfavorecidas e são geralmente profissionais. O facto de a antimáscara ter uma função burlesca em relação à máscara convencional permite a comparação com as estratégias de simulação das sátiras gregas antigas. (http://www.levity.com/alchemy/jonson1.html)
Carlos Ceia, s.v. "antimáscara", E-Dicionário de Termos Literários, coord. de Carlos Ceia, ISBN: 989-20-0088-9

Posto isto, Antimáscara assume-se como um convite a dissertações, poemas, textos e demais dizeres que acharmos por bem, enquanto gente de bem.
E porque acontecem coisas, dentro e fora de nós, será ainda um espaço de divulgação, divagação, indignação...(qualquer coisa) que fará o caminho enquanto for caminhando, ao sabor do momento (que é um tempo muito acertado).

Bem-vindos então (ao que há-de ser).
T.C.